Desde o início da guerra "Fúria Épica" liderada pelos Estados Unidos contra o Irã, dizia-se que um fim definitivo para o conflito não estava em discussão, de modo que o presidente americano Donald Trump não conseguisse atingir seus objetivos declarados no início do confronto. Esses objetivos consistiam na mudança de regime em Teerã, na eliminação definitiva da ameaça nuclear iraniana, na destruição de suas capacidades de mísseis balísticos e no fim do apoio do país a grupos armados aliados na região.
Muitos também acreditavam que Washington falhou de forma notável ao não antecipar a decisão do Irã de fechar a artéria vital do comércio global de petróleo — o Estreito de Ormuz — embora Teerã já tivesse insinuado essa possibilidade há anos. Segundo essa visão, isso colocou os Estados Unidos em uma posição defensiva, forçando-os a impor um bloqueio aos portos iranianos, o que, na prática, significou um cerco naval a toda a região do Golfo, acarretando inúmeros riscos militares e econômicos.
Contudo, contrariamente a essa percepção, a mudança da guerra militar direta para o que pode ser descrito como uma "guerra de pressão econômica" — por meio de sanções e bloqueios — pode ter colocado Washington na posição geopolítica que buscava desde o início, seja por planejamento prévio ou como resultado de desenvolvimentos imprevistos.
Na visão de Trump para a nova ordem mundial, que supostamente se divide em três grandes esferas de influência, os Estados Unidos permanecem como a potência dominante, de acordo com a Estratégia de Segurança Nacional de 2025. Embora Washington concentre sua influência direta no Hemisfério Ocidental, mantém a capacidade de reequilibrar outras regiões para proteger seus interesses.
Nesse contexto, um desses círculos deve ser formado sob a liderança das potências europeias tradicionais — como Grã-Bretanha, França e Alemanha — ou sob a liderança da Rússia, caso esta se torne uma potência dominante no continente. Em ambos os casos, os Estados Unidos mantêm um papel de liderança por meio de alianças existentes ou novos acordos.
O maior desafio, no entanto, reside no terceiro círculo: a China. A preocupação americana aumentou desde 2022, quando a guerra russa na Ucrânia foi vista como um modelo que Pequim poderia tentar replicar em Taiwan, especialmente considerando as declarações do presidente chinês Xi Jinping sobre a prontidão militar até 2027.
Os Estados Unidos enfrentam maior dificuldade em conter a China em comparação com a Europa ou a Rússia, pois não possuem a mesma influência política e econômica sobre ela, e Pequim busca há anos ultrapassar Washington como a maior potência econômica mundial.
No entanto, a China sofre de uma grande fragilidade estrutural: sua forte dependência das importações de energia. Nesse contexto, o Oriente Médio surge como uma fonte primária de petróleo e gás, o que levou Pequim a expandir sua influência na região por meio da Iniciativa Cinturão e Rota, lançada anteriormente, que se baseia na celebração de acordos de longo prazo com países da região em troca de investimentos maciços.
A China reforçou especificamente sua influência tanto no Irã quanto no Iraque, onde controla grande parte de seus setores energéticos. Além disso, a influência regional de Teerã — que se estende pelo chamado "Crescente Xiita" — deu a Pequim uma vantagem adicional na expansão de seu impacto.
A importância estratégica reside no fato de que o controle sobre corredores energéticos vitais, como o Estreito de Ormuz e o Estreito de Bab el-Mandeb, confere imensa influência geopolítica. Desse ponto de vista, Washington acredita que o Irã — e a China, por trás dele — não podem ter permissão para controlar essas vias vitais.
Portanto, o objetivo mais amplo dos Estados Unidos pode ser garantir que o controle sobre esses corredores permaneça fora da influência chinesa, seja por meio de presença militar direta ou de futuros acordos políticos com o Irã.
Essa estratégia não se limita ao Oriente Médio; outras ações americanas indicam um padrão mais amplo que envolve a garantia de passagens estratégicas em todo o mundo, como o espaço GIUK (Groenlândia-Islândia-Reino Unido), o Canal do Panamá e o aumento da influência no Estreito de Malaca e no Mar da China Meridional por meio de parcerias de defesa.
Nesse contexto, analistas acreditam que o objetivo principal não é mais a redução dos preços do petróleo, mas sim garantir o controle geopolítico sobre vias navegáveis vitais, mesmo que isso resulte na manutenção de preços elevados da energia por um longo período.
Alguns especialistas concluem que uma redução significativa nos preços do petróleo só poderá ser alcançada em caso de uma mudança radical no Irã que conceda aos Estados Unidos o controle direto ou indireto sobre o Estreito de Ormuz — um cenário que permanece distante no momento atual.
Os principais índices de Wall Street abriram em leve baixa nesta segunda-feira, com a persistência da incerteza em relação às negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã. Os investidores também se preparam para uma onda de balanços corporativos e para a reunião de política monetária do Federal Reserve ainda esta semana.
O índice Dow Jones Industrial Average caiu 118,5 pontos, ou 0,24%, na abertura, atingindo 49.112,2 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 12,4 pontos, ou 0,17%, para 7.152,72 pontos. O Nasdaq Composite também teve queda de 0,15%, ou 37 pontos, fechando em 24.799,637 pontos.
Esse desempenho ocorre em um momento em que os investidores buscam equilibrar o impacto das tensões geopolíticas no Oriente Médio com as expectativas de uma forte temporada de resultados, concentrando-se especificamente nos sinais de política monetária do Federal Reserve dos EUA.
No âmbito corporativo, os investidores aguardam os resultados de cinco das sete empresas que compõem o grupo "Magnificent Seven", o que confere ainda mais importância a uma semana em que o mercado já precificou um crescimento robusto.
Além disso, todas as atenções estão voltadas para a decisão sobre a taxa de juros do Federal Reserve na quarta-feira, que pode marcar a última reunião do presidente Jerome Powell antes de Kevin Warsh assumir o cargo em maio.
A CoinDesk informou em 27 de abril que o Bitcoin atingiu uma alta de 79.480 dólares na sessão, antes de recuar para aproximadamente 77.800 dólares, marcando uma queda de quase 2%.
Essa retração coincidiu com uma alta nos preços do petróleo, com o Brent subindo para 107 dólares por barril em meio a preocupações com o fornecimento, alimentadas por tensões renovadas entre os Estados Unidos e o Irã.
O Bitcoin enfrentou uma pressão vendedora significativa durante sua tentativa de ultrapassar o nível de 80.000 dólares, com a volatilidade aumentando à medida que os mercados dos EUA abriam e os contratos futuros de Bitcoin começavam a ser negociados na bolsa CME Group.
As altcoins sofreram perdas mais acentuadas, com o token Lido DAO (LDO) caindo cerca de 17% e se tornando um dos ativos com pior desempenho da sessão. Os principais índices setoriais também registraram quedas entre 1% e 2%.
Os mercados de derivativos registraram liquidações totalizando quase 300 milhões de dólares, uma parcela significativa das quais provenientes de posições vendidas a descoberto, indicando que uma breve alta foi seguida por uma rápida reversão de baixa.
Em contrapartida, o interesse em aberto nos futuros de XRP aumentou cerca de 2,5% nas últimas 24 horas, o maior aumento entre as principais criptomoedas. No entanto, as taxas de financiamento permaneceram negativas, refletindo a cautela predominante no mercado de derivativos.
Em relação aos indicadores de volatilidade, os dados mostraram uma diminuição na volatilidade implícita de 30 dias tanto para o Bitcoin quanto para o Ethereum, enquanto o índice VIX, que mede a volatilidade tradicional do mercado, permaneceu em níveis baixos.
O relatório observou que a demanda por proteção contra quedas continua a dominar o mercado de opções, apesar de alguns investidores adotarem estratégias para capitalizar sobre a crescente volatilidade. Enquanto isso, o Índice de Temporada de Altcoins do CoinMarketCap ficou em 39, permanecendo em território neutro.
Os preços do petróleo subiram aproximadamente 3% na segunda-feira, à medida que o impasse nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã, combinado com um bloqueio duplo no Estreito de Ormuz, intensificou as preocupações com o fornecimento global.
O petróleo Brent subiu US$ 3,00, ou 2,9%, fechando a US$ 108,36 por barril — seu maior valor em três semanas. O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA subiu US$ 2,45, ou 2,6%, chegando a US$ 96,85. Esses ganhos seguem uma semana histórica em que o Brent disparou 17% e o WTI 13%, marcando os maiores aumentos semanais desde o início do conflito.
O otimismo do mercado em relação a um cessar-fogo diminuiu durante o fim de semana. Embora o presidente Donald Trump tenha sinalizado abertura para negociações, ele manteve a posição de que o Irã jamais teria permissão para possuir armas nucleares. Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, realizou uma importante viagem diplomática por Omã e Paquistão antes de seguir para Moscou. Apesar desses esforços, as duas nações permanecem fundamentalmente em desacordo sobre a questão nuclear e a liberdade de navegação pelo Estreito.
O bloqueio duplo — a restrição do Estreito pelo Irã e o contra-bloqueio dos EUA aos portos iranianos — paralisou uma das artérias energéticas mais importantes do mundo. Analistas da PVM Oil Associates estimam que entre 10 e 13 milhões de barris por dia (bpd) estejam atualmente fora de operação.
- Tráfego de embarcações: Os dados da Kpler indicam que a navegação pelo Estreito permanece praticamente paralisada; no domingo, apenas um navio-tanque de produtos petrolíferos foi registrado entrando no Golfo.
- Redução dos estoques: Os estoques globais de petróleo estão diminuindo em ritmo recorde devido às interrupções em curso.
Refletindo a gravidade da crise, o Goldman Sachs elevou significativamente suas projeções para o preço do petróleo no quarto trimestre:
- Brent: Preço aumentado para 90 dólares por barril.
- WTI: Preço elevado para 83 dólares por barril.
O banco alertou que o mercado global está caminhando para um déficit enorme. Analistas observaram que a escala sem precedentes desse choque e os preços excepcionalmente altos dos produtos refinados representam riscos econômicos que vão muito além do custo do petróleo bruto.